As rugas fazem parte do processo natural de envelhecimento e não há nada de errado nisso. O que muitas pessoas desconhecem é que apenas uma parte deste processo é determinada pela genética. A grande maioria dos sinais que vemos ao espelho resulta de fatores externos que estão perfeitamente ao nosso alcance, como a exposição solar, os hábitos de vida e a rotina de cuidados que adotamos ao longo dos anos.
Com o tempo, a pele produz menos colagénio e elastina, as duas proteínas responsáveis pela firmeza e pela elasticidade. A renovação celular abranda, a hidratação natural diminui e a pele perde a capacidade de recuperar a sua forma depois de cada movimento. É aqui que as rugas começam a fixar-se.
Prevenir não significa travar o tempo. Significa cuidar da pele de forma consistente para que os sinais apareçam mais tarde e de forma mais suave. Explicamos como.
Principais tipos de rugas
Nem todas as rugas são iguais nem têm a mesma origem. Identificar o tipo ajuda a perceber que cuidados fazem sentido em cada caso.
- Rugas finas ou tipo I: linhas muito superficiais, quase impercetíveis, associadas à desidratação e à perda inicial de firmeza. Surgem cedo, sobretudo no contorno dos olhos.
- Linhas de expressão ou tipo II: resultam da contração repetida dos músculos faciais. Aparecem na testa, entre as sobrancelhas e nos cantos exteriores dos olhos e, com o tempo, mantêm-se mesmo em repouso.
- Rugas profundas ou tipo III: sulcos bem marcados e visíveis em repouso, como o sulco nasogeniano. Devem-se à perda acentuada de colagénio e aos danos acumulados do sol.
- Rugas gravitacionais ou tipo IV: não vêm do movimento, mas do efeito da gravidade sobre uma pele sem suporte estrutural. Traduzem-se em flacidez no maxilar, nas pálpebras e no pescoço.
Como evitar
A prevenção começa cedo e faz-se de gestos simples repetidos todos os dias. Estes são os dez cuidados com maior impacto comprovado.
1. Aplicar protetor solar diariamente
Se tivesse de escolher apenas um cuidado, seria este. Estima-se que a radiação ultravioleta seja responsável pela larga maioria dos sinais visíveis de envelhecimento da pele, num processo conhecido como fotoenvelhecimento. Os raios UVA penetram profundamente na derme e degradam as fibras de colagénio e elastina.
Use um protetor solar de largo espetro com FPS 30, no mínimo, todos os dias do ano, com sol ou sem ele. A radiação UVA atravessa nuvens e vidros, pelo que também está exposto dentro do carro ou junto a uma janela. Aplique como último passo da rotina da manhã e renove ao longo do dia sempre que estiver ao ar livre.

2. Evitar a exposição excessiva ao sol
O protetor solar reduz o dano, mas não o elimina. Evite a exposição direta entre as 11h e as 17h, quando a radiação é mais intensa, e procure sombra sempre que possível.
Complemente com proteção física. Chapéus de abas largas, óculos de sol com filtro UV e roupa de trama fechada oferecem uma barreira que nenhum creme substitui. Os óculos de sol têm um benefício adicional: evitam que aperte os olhos ao sol e, com isso, reduzem a formação de linhas no contorno ocular.
3. Retirar a maquiagem
Dormir com maquilhagem impede a renovação celular noturna, obstrui os poros e mantém em contacto com a pele resíduos, poluição e partículas oxidantes acumuladas durante o dia. Ao longo dos anos, este hábito acelera visivelmente o envelhecimento cutâneo.
Faça uma limpeza cuidada todas as noites, sem exceções. Uma dupla limpeza, começando por um óleo ou água micelar e terminando com um gel ou leite de limpeza, garante que remove tudo, incluindo o protetor solar, sem agredir a barreira cutânea. Tenha especial cuidado com o contorno dos olhos, onde a pele é mais fina e frágil.
4. Evitar fazer caretas
Cada contração muscular repetida deixa uma marca. Franzir a testa, apertar os olhos ou fazer beicinho de forma habitual acaba por fixar linhas que, com os anos, se tornam permanentes.
Não se trata de deixar de ter expressões, mas de tomar consciência dos gestos repetidos e desnecessários. Se franze a testa a ler o telemóvel ou a trabalhar ao computador, verifique a graduação dos óculos, o brilho do ecrã e a iluminação do espaço. Muitas vezes, o problema resolve-se aí.
5. Fazer uma dieta equilibrada
A pele reflete o que come. Uma alimentação rica em antioxidantes ajuda a neutralizar os radicais livres, moléculas instáveis que danificam as células e degradam o colagénio.
Aposte em frutos vermelhos, vegetais de folha verde-escura, tomate, cenoura, frutos secos e peixe gordo, fonte de ácidos gordos ómega-3, que ajudam a manter a barreira cutânea e a hidratação. A vitamina C é essencial para a síntese de colagénio e encontra-se em citrinos, kiwi e pimentos.
Por outro lado, reduza o açúcar refinado e os alimentos ultraprocessados. O excesso de açúcar desencadeia um processo chamado glicação, no qual as moléculas de açúcar se ligam às fibras de colagénio e as tornam rígidas e quebradiças.

6. Praticar exercício regularmente
A atividade física melhora a circulação sanguínea, aumentando o aporte de oxigénio e de nutrientes às células da pele e facilitando a eliminação de toxinas. Também ajuda a regular os níveis de cortisol, a hormona do stress, que em excesso contribui para a degradação do colagénio.
Trinta minutos de atividade moderada na maioria dos dias da semana são suficientes para notar diferença, não só na pele mas na energia e na qualidade do sono. Se treinar ao ar livre, não dispense o protetor solar.
7. Beber bastantes líquidos ao longo do dia
A hidratação interna sustenta a elasticidade e o aspeto preenchido da pele. Uma pele desidratada torna as linhas finas muito mais evidentes e perde capacidade de recuperação.
Procure beber cerca de um litro e meio a dois litros de água por dia, ajustando à temperatura e ao nível de atividade física. Chás e infusões sem açúcar também contam. Complemente com hidratação tópica, aplicando de manhã e à noite um creme adequado ao seu tipo de pele, com ingredientes como ácido hialurónico, glicerina ou ceramidas.
8. Fazer reposição de colágeno
A partir dos 25 anos, a produção natural de colagénio começa a diminuir de forma progressiva. Existem várias formas de apoiar esta reposição.
Do ponto de vista tópico, os retinóides, os péptidos e a vitamina C são os ativos com maior evidência científica no estímulo à produção de colagénio. Introduza-os de forma gradual e sempre acompanhados de proteção solar rigorosa.
Os suplementos de colagénio hidrolisado têm ganho popularidade e alguma evidência favorável, embora os resultados variem de pessoa para pessoa. Antes de iniciar qualquer suplementação, aconselhe-se com um médico ou dermatologista, que poderá indicar também tratamentos em consultório adequados ao seu caso.
Nunca é cedo nem tarde demais para começar. Aos 20 anos, prevenir é sobretudo proteger do sol e hidratar. Aos 40, é acrescentar ativos que estimulem a renovação. Em qualquer fase, a consistência vale mais do que qualquer produto isolado.
Se já notar sinais que a incomodam, marque uma consulta de dermatologia. Um profissional consegue avaliar o estado da sua pele e indicar o caminho mais eficaz, seja através de cuidados domiciliários ou de tratamentos específicos.

